Grandes Lições

 

Eu sei que deixei o blog largado durante algum tempo, mas depois de alguns e-mails motivadores e pessoas pedindo para eu escrever mais; voltarei a postar ao menos uma vez por semana.

***

Paternidade

Eu não sei se já falei sobre isso antes, mas eu não tive pai. Meu pai faleceu quando eu tinha 6 anos de idade e cresci imerso em ausências, o que não exatamente quer dizer que sou desses malucos complexados, cheios de tiques nervosos e que choram ao falar do pai [sniff…]

Mas depois de muita auto-analise e reflexões, vi que a maior ausência da minha vida veio depois que conversei com a minha mãe no dia antes do meu segundo filho nascer. Dizem que há desses momentos mágicos, em que algo nos é revelado e descobrimos alguns porquês antes distintos de nossa compreensão.

Quando meu pai foi assassinado, o homem que o matou não levou somente meu pai, ele levou minha também.

Aprender a ser homem com uma mulher é muito difícil, ainda mais sendo minha mãe.

Ela teve que aprender a ser mais dura e a por mais limites, só de pensar tenho pena dela, abdicou toda a vida pessoal para cuidar de mim e meu irmão caçula.

Minha mãe foi rígida de verdade.  

Não podíamos ser razoáveis em nada, minha primeira surra na vida foi por causa de um 7,5 em geografia e nunca mais esqueci as causas da primeira e segunda guerra mundiais. A coordenadora pedagógica mandou chamá-la para sugerir-me uma psicóloga. Lembro como se estivesse acontecendo nesse instante, ao chegarmos em casa ela olhou no fundo dos meus olhos e disse em tom baixo e sepulcral:: “Você precisa de um psicólogo para aprender geografia? Você está tendo dificuldades de se concentrar porque está pensando  no que não deve ou pensa no que não deve porque não quer se concentrar? Vou ter dar uma psicóloga que vai fazer você se concentrar ….”

Mamãe foi exigente de verdade.

Eu tinha que estudar tabuada em um caderno brochura de 200 páginas, eu tive que completar o caderno em uma noite e depois ela me tomava a tabuada aleatoriamente durante o dia, se eu errasse ela pegava um taco solto do assoalho e me dava um “bolo”.

Minha mãe nunca gostou de abraços, dizia que abraçávamos ela quando queríamos alguma coisa.

Entre muitas coisas que a minha mãe me ensinou, os valores que me deu e a força que me doutrinou a ter, ela não conseguiu ser um pai pra mim, pois a realidade é que homens e mulheres têm diferenças além das físicas e não foi uma mãe carinhosa. Não por falta de zelo, mas sim para não demonstrar fraqueza.

Aprendi muito sobre ser uma pessoa do bem com a minha mãe e com todo o esforço que teve em ser mãe e pai, deixou-me trilhado o mesmo caminho.

Como costumo falar, se eu puder passar aos meus filhos 10% daquilo que me foi ensinado pela minha mãe tenho minha missão como cumprida.

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~ por danielcelha em 27/10/2010.

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