A maternização da paternidade

Para quem estava lendo a VEJA e a VEJA-SP desse fim de semana reparou em duas matérias sobre o dia dos pais, uma falando de pais “especiais” e outra de pais “heróis”, mas ambas falaram uma coisa em comum que fez eu me perceber espelhado como quem barbeia-se. Tratavam da paternidade moderna, participativa e próxima.
No post anterior, eu descrevi a paternidade-maternal, vivida forçadamente pela minha mãe e neste eu decrevo minha maternidade-paternal.

Sou um pai moderno, não que isso seja uma grande coisa ou que seja motivo de orgulho para mim. Na verdade, ser moderno nesse caso quer dizer “SEM MUITAS REFERÊNCIAS”.

Para deixá-los mais centuados: tenho dois filhos Cláudio (as vésperas de completar 11 anos) e Antônio (1 ano e 1 mês).
Cláudio é fruto de um namoro de quando eu tinha 16 anos de idade e Antônio do meu atual relacionamento.

Cláudio vive com a mãe e Antônio vive comigo.

São pessoas completamente diferentes se olhados de perto e comparado na mesma idade. Cláudio é dócil e desligado enquanto Antônio é atento e genioso.
Vivo uma vida de amizade com ambos. O papel do pai carrasco, crítico e contestador nâo combina muito com a minha personalidade e com minha condição.
Imagine a cena, vejo meu filho mais velho semana sim e semana não, muitas vezes semana não por semanas consecutivas, já que moramos em cidades diferentes, nos poucos momentos que estamos juntos vou querer cobrar o que dele ? A mehor opção para mim é conversar com ele e tentar compreender seus anseios e frustrações, buscando ajudá-lo a se tornar uma pessoa melhor do que eu (o que provavelmente não será muito difícil).

Ser pai jovem ajuda a compreender alguns dos principais problemas dessa fase, problemas esses serão guardados como segredo de estado, parte da cumplicidade que estabelecemos.
Ajudar a criar o Cláudio a distância (sem somar a qualidade disso) JÁ me ajuda a entender o Antônio de uma ótica peculiar que poucos pais terão para com seus filhos.

Consigo me colocar de fora, de forma a ver com os olhos do “outro”, nosso pais, ou pelo menos a maioria deles, jamais teriam essa visão, são mais “aleijados emocionalmente” do que nós. Mas há razões para isso também.

Nossos pais, ou melhor, a geração de nossos pais teve que sair de casa muito mais cedo, começaram a trabalhar muito mais cedo, tiveram que destruir obstaculos muito antes de começarmos a romper os nossos, proporcionalmente. Viveram uma época de política fechada, economia fechada, vida sexual fechada, uma felicidade de fachada e em um sistema inter-relacional VERTICAL, ou seja, HIERÁRQUICO, assim como a sociedade em que eles viveram, o desenho dos papéis era definido o padrão sexista do “papel de homem” ou “pai provedor”.
O mundo mudou muito nos últimos 30 anos. A ditadura terminou, a economia ficou aberta e somos a 7ª maior do mundo, temos liberdade sexual e pluridiversidade de generos, status de felicidade modificou-se do parecer algo para SER algo e o sistema inter-relacional virou HORIZONTAL, ou seja ISONOMIA DOMÉSTICA, o desenho de papéis é definido pelo CONTRATO DO COMUM ACORDO.

As mulheres trabalham também, os homens também cozinham e lavam roupa, as mulheres dirigem o carro na viagem de família, os homens lotam as seções de fraldas dos supermercados e salões de beleza

Hoje, diferente de ontem, o “papel de homem” é aceitar o outro e a família da forma como ela se desenha e se desdobra, com todas suas nuances  e dificuldades REAIS que toda estrutura familiar tem e terá, pois esse “papel” exige ser interpretado e re-interpretado da forma que vier, seja você o pai-pai, o pai-mãe, a mãe-mãe, a mãe-pai, ou se você e seja lá com quem você divida esses papéis, possam interpretá-lo da melhor forma possível, pois a verdade é que tudo se resume ao AMOR.

~ por danielcelha em 16/08/2011.

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  1. VoRtando a escrever

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